quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula gera incerteza no campo com desapropriações

Por O Globo

Em afago ao MST, medida eleitoreira destina R$ 2,7 bilhões, ignorando debates no Congresso e na Justiça

São nitidamente eleitoreiras as medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para afagar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), aliado histórico do petismo que cobra do governo mais ações de reforma agrária. Na largada do ano eleitoral, Lula prometeu um pacote de R$ 2,7 bilhões para iniciativas no setor. Segundo o Planalto, elas incluem desapropriações em seis estados (São Paulo, Bahia, Pará, Pernambuco, Sergipe e Maranhão).

Supervisão dos mercados está defasada. Por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Para equipe econômica, Há um número crescente de lacunas, onde fermentam escândalos como Master e Americanas

A partir deste mês, a Receita Federal será informada por administradoras de fundos de investimentos sobre os CPFs de seus cotistas. Ou seja, saberá quem são as pessoas físicas donas do dinheiro. Hoje não sabe, porque um fundo pode ter como cotista outro fundo, formando uma teia que dificulta identificar a origem do dinheiro.

As informações estarão numa declaração chamada Formulário Digital de Beneficiários Finais (e-BEF). Segundo a Receita, os objetivos desse documento são: “dificultar o uso do sistema financeiro por organizações criminosas”, “aumentar a transparência nas relações econômicas e financeiras”, “reforçar o combate à lavagem de dinheiro, à corrupção e à sonegação de impostos”.

Master pauta articulações entre Poderes no recesso. Por Fernando Exman

Valor Econômico

Às vésperas do fim do recesso, o Senado, a quem cabe em última instância julgar a conduta dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e da cúpula do Banco Central (BC) em caso de pedidos de impeachment ou exoneração, prepara-se para entrar no caso Master. Quer tomar parte nas investigações. E como fez no ano passado ao dar um empurrão para o BC limitar as chamadas contas-bolsão que dificultavam a identificação de movimentações financeiras realizadas por facções criminosas, pretende contribuir no aprimoramento da regulação dos fundos exclusivos de investimento.

Neste momento, na cúpula do Senado não se fala de um eventual impeachment do ministro Dias Toffoli, que tem mantido a relatoria dos processos envolvendo o Banco Master no Supremo, a despeito de críticas e questionamentos sobre as ligações de sua família no caso. Nem de outros ministros do STF.

O caso Master, Fachin e a transição jurídica inacabada do Supremo. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O presidente do Supremo tem insistido na necessidade de limites institucionais claros e na preservação da autoridade da Corte por meio da autocontenção

Durante a Lava Jato, havia duas linhas de atuação no Supremo Tribunal Federal (STF), a ponto de uma das Turmas ser chamada pelos advogados de Jardim do Éden e a outra, de Câmara de Gás. Em algum momento essa divisão entre garantistas e punitivistas, digamos assim, foi ultrapassada pela necessidade de defender a democracia e o devido processo legal, ameaçados pelo então presidente Jair Bolsonaro. Tanto que essas ameaças se consumaram na tentativa de golpe de 8 de janeiro.

Juros a conta-gotas. Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O Copom já pode começar a cortar os juros, mas precisa conduzir esse processo com cautela

Está chegando a hora de o Copom começar um ciclo de corte de juros, depois de a taxa Selic ficar estacionada em 15% por bastante tempo. Embora a aposta da esmagadora maioria de analistas não seja a de que o primeiro corte aconteça ao fim da reunião de política monetária hoje, é grande a ansiedade sobre como o Copom irá conduzir as expectativas do mercado e sinalizar em que ritmo vai reduzir os juros e até onde pretende baixá-los.

'Bugonia' e a nova ordem mundial. Por Vera Magalhães

O Globo

Lógica do delírio que pauta a ação do filme de Yorgos Lanthimos parece ditar a ação das superpotências e a reação possível dos países forçados a negociar com elas

Em “Bugonia”, a obra de Yorgos Lanthimos que concorre ao Oscar de melhor filme neste ano, o mundo é visto a partir da lente da paranoia: forças invisíveis, supostamente racionais, passam a organizar a realidade a partir do medo, da suspeita e da convicção de que o outro é uma ameaça existencial.

A lógica do delírio é tal que tanto os personagens quanto o espectador passam a lidar com a possibilidade de que ele seja real. É difícil não reconhecer algo familiar aí, principalmente diante das cenas de ensaio de guerra civil no cenário congelado dos Estados Unidos em que a ICE age sem o mínimo controle.

A política global recente tem avançado perigosamente nessa direção. As grandes potências voltaram a operar como personagens de um thriller distópico. Estados que se veem cercados por inimigos, líderes que tratam o mundo como um tabuleiro de soma zero, alianças que valem apenas enquanto servem a interesses imediatos.

Quem corrói o STF são os próprios ministros da Casa. Por Elio Gaspari

O Globo

O presidente do Supremo Tribunal, Edson Fachin, fala demais e diz pouco. Há algumas semanas ele anunciou sua disposição de criar um código de conduta para seus pares. Como era possível prever, esbarrou em ministros descontentes, que não querem código algum. Se é assim, paciência.

Diante da adversidade, Fachin assumiu uma postura profética. Viu uma “erosão democrática” — que, de forma insidiosa, “corrói as instituições por dentro”. Ganha um fim de semana em Minneapolis quem puder mostrar onde está a erosão brasileira. Há quatro anos ela estava escancarada e partia dos generais palacianos. Estão todos na cadeia, a começar por um ex-presidente que também acenava com crises apocalípticas. Fachin se queixa porque vê que “magistrados e magistradas são perseguidos por seu ofício”.

Após crise com União Brasil, Caiado anuncia filiação ao PSD

Por O Globo

Com filiação de Caiado, PSD passa a contar com três postulantes à disputa pela presidência

A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, faz com que a sigla de Gilberto Kassab passe a reunir três possíveis candidatos ao Planalto. O anúncio da chegada do goiano ocorreu na terça-feira em vídeo ao lado dos governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), que também manifesta interesse em disputar o Planalto em outubro.

Em vídeo divulgado ao lado de Ratinho e de Leite, no qual anunciou sua filiação, Caiado afirmou que fez um "gesto de total desprendimento", e indicou que o PSD ainda decidirá, entre os três, quem será o candidato à Presidência neste ano.

O governador goiano disse ainda que buscava "uma oportunidade para contribuir com a discussão nacional", e que as portas para isso haviam se fechado no União Brasil.

-- Aqui não tem interesse pessoal de cada um. Aquele que for escolhido levará esta bandeira de um projeto de esperança e de resgate daquilo que o povo tanto espera. É dessa maneira que sou recebido aqui. E tenho a graça de ter a minha filiação partidária ao PSD. O que sair daqui candidato terá o apoio dos demais - afirmou Caiado.

A candidatura de Flávio 'está se consolidando', diz Tarcísio

Por Samuel Lima / O Globo 

Governador nega ainda 'discussão acalorada' com Flávio Bolsonaro e alega que tem 'projeto de longo prazo' em São Paulo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira, 27, que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "está se consolidando rapidamente" e que recusaria um convite para substituí-lo nas urnas, mesmo diante de um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

— Isso não vai acontecer, mas eu diria não. É muito tranquilo isso para mim — declarou o político em entrevista à rádio Jovem Pan de Sorocaba, no interior de São Paulo. Ele foi à cidade para um encontro na fábrica da Toyota.

Brasil passa a se destacar na onda de euforia com 'mercados emergentes'. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Entre países maiores do grupo, altas da moeda e da Bolsa do Brasil são notáveis em 2026

Valorização do real ajudou a tirar Lula das cordas em 2025; pode ajudar de novo

Algumas gotas do dinheiro grosso do mundo achatam as percepções de que a economia do Brasil é um risco. Ou melhor, ao menos no curto prazo, os ativos brasileiros valem os riscos dos nossos males crônicos e de uma eleição acirrada. O real e o preço das ações se valorizam. Agorinha, até juros de títulos de dívida de prazo mais longo caem.

A grande alta dos ditos mercados emergentes é notícia velha ao menos desde meados do ano passado. No caso das Bolsas, foi a maior desde 2009, na medida do índice MSCI de mercados emergentes, que acompanha o preço de ações em 24 países, Brasil inclusive.

Flávio Bolsonaro abraça filossemitismo estratégico com visita a Israel. Por Ana Luiza Albuquerque

Folha de S. Paulo

Pré-candidato à Presidência segue os passos do pai e se junta a outros líderes da direita radical global

Senador busca se consolidar como oposição a Lula e reforçar laços com alas do neopentecostalismo

A recente visita a Israel do senador Flávio Bolsonaro (PL), que vestiu um quipá para orar no Muro das Lamentações, local sagrado do judaísmo, cumpre algumas funções políticas para o pré-candidato à Presidência da República —internas e externas.

Seguindo os passos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio se junta a outros líderes globais da direita radical, que nas últimas décadas vêm aderindo a uma espécie de filossemitismo (afeição ao povo judeu) estratégico.

Se no século 20 a extrema direita era abertamente antissemita, no século 21 seus líderes elegeram um novo inimigo do qual os Estados Unidos e especialmente a Europa devem se livrar: o imigrante árabe muçulmano. Nesse sentido, é profícua a aliança com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o apoio a Israel em meio à guerra em Gaza.

Com a viagem, Flávio se alinha a líderes mundiais que compartilham ideologia similar, imbuídos no antiliberalismo, no conservadorismo cultural e no nacionalismo exacerbado, e que muitas vezes usam o populismo como método.

Não queria estar na pele de um teólogo bolsonarista. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Raio em manifestação que pedia anistia para golpistas diz algo sobre os desígnios de Deus?

Se diz, fica difícil afastar interpretação mais básica de que Criador quer ex-presidente na cadeia

Se há algo que o homem sempre temeu, são os raios e trovões, que simbolizam a força avassaladora da natureza, contra a qual nada podemos. Não é uma coincidência que, em grande parte das mitologias, o deus associado ao trovão ocupe posições elevadas no panteão: Zeus (grego), Júpiter (romano), Thor (nórdico), Perun (eslavo), Taranis (celta), Indra (hindu), Raijin (japonês), Tupã (tupi-guarani).

Justiça é omissa ante abusos eleitorais. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governantes usam e abusam do uso da máquina pública sob o olhar complacente da Justiça Eleitoral

Na prática virou letra morta a obrigação legal da separação entre atos oficiais de atividades de campanha

Ministros vão deixando seus postos na Esplanada para concorrer às eleições de outubro, mas isso não significa desfalque na campanha de Luiz Inácio da Silva (PT) para a reeleição. Ao contrário, deve ser um reforço.

Sai metade da equipe ministerial e entram em campo duas dezenas de cabos eleitorais trabalhando por Lula em vários estados, na maioria candidatos a governador ou ao Senado. Difícil acreditar que não vão se valer da influência nas pastas que comandaram.

Separe o joio do trigo, ministro Fachin. Por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Corte precisa distinguir ataques políticos de cobranças legítimas por decoro e transparência

Crise atual nasce de condutas, não de conspirações contra a instituição

Na semana passada, o presidente do STFEdson Fachin, divulgou uma nota para responder às críticas que se acumulam sobre as relações entre ministros e envolvidos no caso do Banco Master. O gesto reconhece o óbvio: instalou-se uma crise de imagem institucional que já não pode ser ignorada.

A reação do ministro seguiu o roteiro clássico do primeiro passo na comunicação de crise. Alegou más intenções por parte dos acusadores, reiterou o que o STF fez em defesa do Estado de Direito no país e afirmou que o tribunal não se curvará a "ameaças ou intimidações". Fez concessões, claro, dizendo que críticas em geral são legítimas e mesmo necessárias e que "todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas".

Retomando o fio da meada. Por Ivan Alves

A nossa trajetória republicana é marcada por inúmeras crises. A lista é longa: golpes militares, contra golpes, golpe dentro de golpe, autogolpe, insurreições, renúncias, impedimentos, ditaduras civís. Tem para todos os gostos, sobretudo os autoritários, dir-se-ia. 

Alguns momentos foram particularmente difíceis, com a banalização das práticas de torturas aos presos políticos. Refiro-me ao Estado Novo, à ditadura Dutra, à longa ditadura dos militares a partir de 1964. 

Todos querem governar o mundo, por Pablo Spinelli

Filme resenhado: Marty Supreme (EUA: 2025) dirigido por Josh Safdie. Com Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion, Kevin O’Leary, Abel Ferrara. Indicado a 9 Oscars, como Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator e Melhor Montagem.

O título pode ser enganoso e sugerir que falaremos dos EUA, da Groenlândia, da esquecida e ainda chavista Venezuela ou das caminhadas anti-institucionais ora em curso e sendo programadas no ambiente doméstico. Mas a frase é o refrão da canção que encerra o filme Marty Supreme Everybody Wants To Rule The World, da banda Tears for Fears, grande sucesso há 40 anos e cuja letra sintetiza as motivações do vendedor de sapatos e tenista de mesa Marty Mauser (cujo trocadilho com “mouse” é inevitável).

O filme se passa na Nova York de 1952 e apresenta a obstinação de Mauser em conseguir se afirmar como um astro do tênis de mesa internacional. Após perder a final no Aberto de Londres, o personagem não medirá esforços para seu grande objetivo: enfrentar o campeão mundial Koto Endo na terra desse, o Japão, em uma esperada revanche pessoal.

Poesia | Os fios, de Marcelo Mário de Melo

A poesia é fio de voo.

O humor é fio de espelho.

A vontade é fio de prumo.

 

A luta é fio de fogo.

O medo é fio de abismo.

Traição ê fio de lama.

 

A espera é fio de sombra..

O prazer é fio de embalo.

Amizade é fio de luva.

 

A vida é o novelo.


Música | Nara Leão - Manhã de Carnaval

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Opinião do dia – Edson Fachin*

Por que o Judiciário tem sido alvo de ataques?

O Judiciário não é eleito, o que faz com que sua legitimidade não venha do voto, mas do ingresso por concurso ou por indicação constitucional, seguido de sabatina. Essa é a chamada “legitimidade de entrada”. A outra dimensão é a “legitimidade da caminhada”, construída diariamente por decisões fundamentadas, jurisprudência estável e conduta compatível com a função. O Judiciário costuma ser alvo de ataques por três razões principais. A primeira é seu papel de controle sobre os demais Poderes, o que incomoda governantes com pretensões autoritárias. A segunda é o fato de ser um Poder sem armas ou força material própria, o que o torna mais vulnerável a tentativas de deslegitimação. A terceira está ligada ao papel assumido no pós-guerra de proteger direitos fundamentais e minorias, o que desperta reações de setores contrários a essa atuação.

*Edson Fachin é presidente do STF, em entrevista ao jornal O Globo, hoje, 27/1/2026.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Instituições americanas devem impor freio a Trump

Por O Globo

Morte de enfermeiro por agentes de imigração em Minneapolis expõe faceta brutal e autoritária do governo

A morte do enfermeiro americano Alex Pretti, de 37 anos, por agentes federais em Minneapolis revelou a faceta mais brutal do governo Donald Trump. Em desafio à autonomia dos estados, Trump tem usado agentes da Fiscalização de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) para impor sua agenda anti-imigrantes com violência desmedida, sobretudo em redutos democratas. No sábado, um agente federal empurrava dois civis que acompanhavam uma detenção durante uma manifestação pacífica quando Pretti, filmando com celular, se postou entre eles e foi alvo de spray de pimenta. Em seguida, revelam imagens, vários agentes o derrubaram, o agrediram e o imobilizaram. Um dos policiais encontrou e apreendeu uma arma que Pretti carregava escondida (nunca empunhada). Em seguida, ele foi alvejado por tiros. No início do mês, a poeta Renée Good, de 37 anos e mãe de três crianças, fora morta na mesma Minneapolis por agentes da ICE que atiraram em seu carro.

Cinco razões para cortar e cinco para não cortar a Selic amanhã. Por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Decisão do Banco Central é importantíssima para a economia brasileira

À margem de bombásticos noticiários - sequestro da Venezuela, ameaça de anexação da Groenlândia, Conselho da Paz, revolta em Mineápolis, Banco Master, boom da bolsa, raios sobre o bolsonarismo etc. -, o Banco Central decide amanhã se mantém os juros básicos em 15% ou faz um corte na taxa. A decisão é importantíssima para a economia brasileira.

No mercado, a opinião é quase consensual: 112 (93,3%) das 120 instituições financeiras consultadas pelo Valor preveem a manutenção. Na mídia, há apoio também majoritário. Prevalece o argumento fiscalista de que o governo gasta demais, isso estimula a inflação e o BC não tem outra opção a não ser manter uma das taxas de juros reais mais elevadas do mundo.

O mercado da advocacia na lavagem do Master. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

OAB Nacional resiste tanto à proposta de um código de ética da seção paulista quanto à regulação de escritórios que fazem consultoria de lavagem de dinheiro

Isolado na opinião pública desde a nota em que defende a atuação do ministro Dias Toffoli, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, ganhou o apoio, nesta segunda, da seção paulista da OAB que formatou num código os princípios anunciados pelo documento de juristas coordenados pela Fundação Fernando Henrique Cardoso.

Reintroduz o trecho do Código de Processo Civil que impede juízes de participar em processos de clientes de escritórios que tenham a atuação de familiares. Em 2023, este trecho foi considerado inconstitucional pelos próprios ministros do STF, sob a liderança do decano, ministro Gilmar Mendes.

O Brasil na nova ordem geopolítica. Por Christopher Garman

Valor Econômico

Cresce o interesse externo pelo Brasil, mas o país só poderá aproveitar plenamente essa oportunidade se enfrentar o seu déficit fiscal

A ação militar dos EUA na Venezuela serviu como um despertar para lideranças na América Latina. A bem-sucedida derrubada de Nicolás Maduro do poder representou uma ilustração dramática das prioridades estratégicas de Washington no Hemisfério Ocidental, consolidando um debate global sobre como os países terão que se adaptar a um mundo marcado pelo conflito entre grandes potências e pelo declínio da ordem multilateral baseada em regras.

Lula conversará com Trump sobre Gaza e Venezuela em visita à Casa Branca. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O presidente norte-americano tenta redesenhar a ordem internacional com seu “Conselho de Paz” e acende um alerta máximo na América Latina com a intervenção militar na Venezuela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por 50 minutos, e aceitar seu convite para ir à Casa Branca, entrou numa perigosa saia justa política. De um lado, o presidente americano o trata com deferência pessoal (“eu gosto dele”), o convida para um organismo global recém-criado e ainda acerta uma visita do brasileiro à Casa Branca assim que Lula voltar da Índia e da Coreia do Sul, em fevereiro. De outro, está sobre a mesa uma negociação em torno de Gaza, da arquitetura internacional e, sobretudo, da Venezuela, depois da operação militar dos Estados Unidos que prendeu Nicolás Maduro. Tudo num ano eleitoral, em que o governo Lula precisa reduzir riscos externos e internos, com economia sensível, oposição com a faca nos dentes e eleições logo ali.

Do brega ao clássico. Por Irlam Rocha Lima

Correio Braziliense

O filme O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho, tem a trama embalada por uma diversificada trilha sonora

As conquistas de O agente secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, em diversas mostras de cinema ao redor do mundo, como o tradicional Festival de Cannes, na França, e, claro, o prestigioso Globo de Ouro, nos Estados Unidos, têm a trama embalada por uma diversificada trilha sonora.

No decorrer do filme, ouve-se desde If you leave me now, clássico da banda norte-americana Chicago, a Eu não sou cachorro não, sucesso brega do saudoso cantor e compositor baiano Waldick Soriano, que abre o repertório.

Fachin diz que democracia está ameaçada

Por Iago Mac Cord / Correio Braziliense

Presidente do STF volta a advertir sobre agressões ao Estado de Direito, desta vez na Corte Interamericana de Direitos Humanos

Ao discursar, ontem, na abertura do ano judicial na Corte Interamericana de Direitos Humanos, em São José da Costa Rica, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, voltou a alertar sobre as ameaças ao Estado de Direito ao advertir que a democracia atravessa "tempos desafiadores" no continente. Ele tinha manifestado essa mesma preocupação na carta, que divulgou na semana passada, em defesa do STF e do ministro Dias Toffoli — cujas decisões relacionadas ao inquérito da negociação entre Banco Master e BRB vêm sendo contestadas —, quando afirmou que a Corte acompanha atentamente as movimentações da extrema-direita no Brasil.

Brasil país indefeso. Por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

Com recursos insuficientes, ficam evidentes as vulnerabilidades na segurança do País quanto a meios adequados para assegurar a soberania nacional

A revista Inteligência Insight publicou, no número de dezembro, o artigo Brasil país indefeso, apresentado como um manifesto à nação. O artigo trata das vulnerabilidades na área da segurança, com graves danos à soberania e à defesa do interesse nacional. Levando em conta a nova estratégia nacional e o recém-publicado documento com a doutrina de Defesa dos EUA, é importante ressaltar algumas análises feitas a partir do artigo.

Conhecimento para quê? Por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Parece haver uma relação simbiótica entre baixa eficiência da indústria e má qualidade do ensino em diferentes níveis

A expansão da indústria no mundo tem sido surpreendente. Num ambiente marcado por tensões econômicas e políticas provocadas em grande parte por um presidente norte-americano nefasto para a harmonia entre as nações, a indústria manufatureira mundial cresceu 3,9% no terceiro trimestre de 2025, na comparação com igual período de 2024. Os dados são da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). No Brasil, porém, o desempenho da indústria de transformação foi muito diferente. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) constatou desaceleração do setor manufatureiro brasileiro, com redução de 0,6% no período considerado.

O STF e a ética. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O que contamina a política, em ano eleitoral ou não, é a falta de ética, não a criação de um Código de Ética

O presidente do STF, Edson Fachin, acertou, na entrevista ao Estadão, ao mandar os ministros botarem as barbas de molho: “Ou nos autolimitamos, ou poderá haver limitação de um Poder externo”. Não é só opinião dele, é uma constatação que, dependendo de quem olha, pode ser vista como uma ameaça à Corte, ou como necessidade institucional, depois de tudo que veio à tona.

Não faz sentido a maioria de ministros ser a favor de um código de ética que dê limites ao Supremo e o reaproxime da opinião pública, mas alguns descartarem para agora, “por ser ano eleitoral”. Segundo Fachin, o argumento é “sólido”. Será? Não é a busca de ética, mas a falta de ética que contamina a disputa política – e não só em ano eleitoral.

A regra do jogo. Por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O TCU não recuou em suas gestões no caso Master. Tirar o corpo da luz dos holofotes não significa recuar. Na última sexta, este Estadão informou que os auditores responsáveis pela diligência – não mais inspeção – sobre a atuação do Banco Central têm mencionado pressões do relator Jhonatan de Jesus para influenciar a análise técnica do processo. A desqualificação do trabalho do BC teria como efeito embalar um presentaço à defesa do Master. Claro – você sabe – que essa não é a intenção do TCU.

Tampouco será a intenção de Dias Toffoli desqualificar o trabalho da Polícia Federal no caso. A desqualificação do trabalho da PF também seria um presentão à defesa do Master. As gestões do ministro sobre o material apreendido na operação Compliance Zero derivam do zelo pela investigação. O Dias Toffoli delegadão, que toca o processo como tocados são os inquéritos xandônicos, jamais plantaria condições para futuras nulidades processuais.

Entrevista| Edson Fachin: 'Não vou cruzar os braços. Doa a quem doer'

Por Mariana Muniz / O Globo

Magistrado afirma que eventuais questionamentos sobre a investigação da instituição financeira, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, podem ser analisados pela Segunda Turma da Corte

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin afirma em entrevista ao GLOBO que não irá ficar de “braços cruzados” na hipótese de ter que avaliar questionamentos sobre o caso do Banco Master, cuja investigação está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, alvo de pedidos de suspeição feitos por parlamentares. Apesar de evitar fazer qualquer antecipação sobre seu posicionamento, o magistrado afirma que pode agir — “doa a quem doer”.

O ministro Dias Toffoli vem sendo questionado sobre as condições de continuar como relator da investigação do Banco Master no STF. Dois irmãos do magistrado já foram sócios de um resort no Paraná e venderam a participação para um fundo que é ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Diante disso, o senhor entende que Toffoli deve permanecer à frente do caso?

Como presidente do tribunal, não posso antecipar juízo sobre circunstâncias que eventualmente serão apreciadas pelo colegiado. Parte do que foi mencionado envolve atos não jurisdicionais. Mas uma coisa é certa: quando for necessário atuar, eu não vou cruzar os braços. Doa a quem doer.

A IA cuida do seu computador. Por Pedro Doria

O Globo

O ano de 2026 deve marcar uma competição muito mais acirrada entre Google, OpenAI e Anthropic

Nesta última semana, a inteligência artificial assumiu o controle dos computadores. Ou quase. Não foi nem Google, nem OpenAI. Quem chegou concretamente primeiro aos agentes foi a terceira concorrente — Anthropic. A empresa responsável pelo Claude, que briga no mercado com Gemini e GPT. Não é para todo mundo ainda. Não funciona em computadores Windows. Só nos Macs. E só funciona para quem paga a maior assinatura do Claude, US$ 100 por mês. Dá pouco mais de R$ 500. É caro. Mas estes já podem pedir à IA que execute tarefas em seus computadores.

Código no STF e regras prudenciais. Por Míriam Leitão

O Globo

O Supremo foi atacado no governo Bolsonaro pelas suas virtudes, agora sangra pelos seus erros. O código de conduta, que já era necessário, agora ficou urgente

O ministro Edson Fachin foi ao ponto certo na entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. O Supremo Tribunal Federal precisa se limitar e criar normas para si, antes que elas venham de fora. Se vierem como imposição de outro poder carregarão o vírus de quem quer tirar do STF a autoridade que ele deve ter. O Supremo foi atacado no governo Bolsonaro pelas suas virtudes, agora sangra pelos seus erros. O que sempre foi necessário, um código de conduta, ficou agora mais urgente. E, de fato, não faz sentido adiar o debate interno porque o país tem eleições este ano. Felizmente as temos regularmente.

A família Filho. Por Merval Pereira

O Globo

A sociedade não está aqui para proteger parentes de ministros; ela quer ministros que sejam inatacáveis

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, não se expõe muito publicamente desde que entrou no tribunal. Antes, era um ativo participante político, tendo sido porta-voz de um grupo de juristas que assumiu publicamente o apoio à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República em 2010, fato que lhe valeu várias críticas, também minhas, quando foi indicado ao Supremo por Dilma. Durante sua permanência no cargo, porém, Fachin deu mostra de imparcialidade e independência. Se muitos veem em sua atuação na condenação do então juiz Sergio Moro o passo para a libertação de Lula, não entenderam que Fachin tentou, num último recurso, evitar que Moro fosse julgado na turma presidida pelo ministro Gilmar Mendes, que declaradamente procurava sua punição. Não deu certo a manobra, porque Gilmar, experiente ministro, “enfermeiro que já viu sangue”, não aceitou a argumentação de Fachin de que o caso deveria ser julgado noutra instância que não sua turma.

Cúpula do STF contra o povo. Por Fernando Gabeira

O Globo

A nota de Fachin, as manifestações do PGR e o post de Gilmar Mendes confirmam a ideia de uma cúpula judiciária unida para se blindar

Pensei em escrever um artigo sobre o discurso do primeiro-ministro do Canadá em Davos. Mark Carney acha que vivemos um momento de ruptura, e não de transição. A ordem internacional, que já não era grande coisa, se rompeu para dar lugar claramente à lei do mais forte. Nesse contexto, é preciso se preparar, pois quem não estiver na mesa estará no menu. Tema importante para o Brasil, mas posso voltar a ele, algumas vezes, antes das eleições.

Neste momento, tenho de escrever sobre o escândalo do Banco Master. Não esperava, a esta altura da vida, aos 40 minutos do segundo tempo, encontrar nosso país nesta condição patética. A nota do ministro Edson Fachin, as manifestações do procurador-geral e o post de Gilmar Mendes confirmam a ideia de uma cúpula judiciária unida para se blindar. Usando a máscara de salvadores da democracia, querem impor uma situação marcada, como diz um jornal alemão, pela ganância que afunda o STF.

É preciso criticar o Supremo para salvá-lo de si mesmo. Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

O que desmoraliza o Supremo não são as denúncias e vazamentos; são as reiteradas condutas suspeitas de seus ministros

A crítica pública e a investigação delas, longe de ser um risco, são a melhor esperança para saneá-lo e preservar sua legitimidade

Houve um tempo em que a direita brasileira dizia querer conter os abusos do Supremo. Aparentemente, não mais. Enquanto os principais nomes da direita, entre eles o deputado Nikolas Ferreira e a multidão que o seguia no domingo, elegeram a soltura de Bolsonaro como a prioridade nacional, o maior escândalo financeiro da nossa história escancara os conflitos de interesse de ministros do Supremo, mas passa batido pela classe política. Talvez porque muitos dos membros dela também estejam implicados.

Credibilidade do STF escoa pelo ralo. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Toffoli já deveria ter se afastado há tempos do caso Master

Inação de outros ministros da corte só piora a situação

Já ficou ridículo. São tantas as relações perigosas do ministro do STF Dias Toffoli com o Banco Master e suas ramificações que não há mais a menor chance de suas decisões relativas ao caso serem aceitas como normais. O que de melhor ele poderia fazer para si mesmo, para o Supremo e para o país seria afastar-se das investigações. Na versão light, ele remeteria o processo para a primeira instância, de onde nunca deveria ter saído. Na versão não tão light, que leva em conta o longo histórico de decisões altamente controversas do ministro, ele deveria requerer aposentadoria mesmo.

Fachin se perde no primeiro lance. Por Dora Kramer

 

Folha de S. Paulo

O presidente que defende Toffoli não é o mesmo magistrado que prega ajuste de condutas no Supremo

Pode ter sido um gesto estratégico, mas também só um jeito de não ficar isolado no tribunal

O magistrado que aponta a necessidade de se ajustarem condutas a um código de ética na corte suprema não se coaduna com o presidente que, em nota oficial, compara cobranças por lisura e transparência nos atos do colegiado a ameaças e intimidações.

Um não conversa com o outro. Portanto, é de supor que aquele um lá do início precisou ceder espaço ao outro que assinou o texto de repúdio aos questionamentos sobre decisões de Dias Toffoli e a situação familiar de Alexandre de Moraes. Ambas as circunstâncias relacionadas ao caso do Banco Master.

Flávio parece um candidato ao conselho de ditadores de Trump. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 viajou a Israel para se aproximar da extrema direita internacional

No Rio, o candidato bolsonarista será alguém no estilo tiro de fuzil e bomba

Desde que recebeu a ordem de concorrer às eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro já esteve nos Estados Unidos tentando tirar uma foto com Marco Rubio –encontrar-se com Donald Trump era um sonho impossível. Levou um perdido do secretário de Estado, apesar de todo o empenho do irmão Eduardo. Agora viajou a Israel, Bahrein e Emirados Árabes, num movimento de aproximação com a extrema direita internacional.